O numinoso e a experiência religiosa na psicologia de Carl Jung

Punita Miranda

Resumo: Este trabalho começa com a noção de “experiência religiosa” inaugurada pelo teólogo protestante Friedrich Schleiermacher (1768-1834), cuja ênfase na importância de descrevê-la a partir da perspectiva do sujeito teve papel decisivo na configuração de estudos subsequentes dos fenômenos religiosos. Em seguida, são examinadas as ideias de dois representantes bem conhecidos desta tradição: o filósofo e psicólogo americano William James (1842-1910) e o teólogo luterano alemão Rudolf Otto (1869-1937), que vieram a ter forte influencia no pensamento do psiquiatra suíço Carl Jung (1875-1961). Por fim, explora-se a ideia do sagrado em Otto e demonstra-se como seu conceito de “estado de espírito numinoso” introduziu forte componente psicológico e emocional no estudo das religiões. Jung usou o conceito de numinoso para se referir a uma variedade de fenômenos psicológicos que tinham principalmente relação com manifestações arquetípicas. Desde então, o termo foi apropriado, tornando-se uma pedra angular na psicologia analítica e parte importante do léxico junguiano.

Mitologia e análise

Mário Batista Catelli

Resumo: O mito – fenômeno tão antigo quanto a humanidade – tem sido, ao longo da história, ao mesmo tempo fonte e objeto do conhecimento humano. A partir do trabalho de Jung, a mitologia passou a ser vista como expressão de dinâmicas psíquicas inconscientes, que serve a um movimento primordial de criação e de evolução da consciência, ao propor grandes temas que mobilizam a humanidade em todos os tempos: as origens e o término; o jogo dos opostos; o tempo profano e o tempo sagrado; o herói e a descida ao mundo inferior; morte e renascimento; e outros. Assim, na análise, que cuida da expansão e da relativização da consciência, mediante o seu enraizamento na totalidade psíquica, o trabalho com mitos adquire especial relevância.

Neumann e Jung – o princípio criativo

Paula Costa Franco Esteves

Resumo: Biografia de Erich Neumann (1905/1960), um expoente teórico da psicologia analítica. Seu frutífero relacionamento com Jung resultou em grande quantidade de obras criativas e importantes para a psicologia profunda. Neumann era um sionista atuante e abraçou suas raízes judaicas, estudando as tradições de seu povo. Viveu tempos turbulentos pela perseguição nazista e participou da criação do estado de Israel.

O saturno astrológico - Uma reflexão sobre o senex arquetípico

Gabriel Gheller Souza dos Anjos

Resumo: O Velho… este é o personagem arquetípico que talvez melhor defina o espírito de Saturno na astrologia. Era um dos mais temidos deuses, pois trazia consigo a consciência do tempo, o envelhecimento, a incapacidade e a dura realidade do fim inevitável nas coisas. Na tradição astrológica antiga, era, por vezes, considerado maléfico. No entanto, como tudo possui (no mínimo) dois lados, Saturno é também recheado de virtudes. Ele traz o valor da paciência, da sabedoria, do conhecimento pela experiência, o senso de legado e a tradição da história, ambição e autoridade. É o senhor dos limites. O senhor dos anéis.

Símbolos da transformação – história de uma obra

Emmanoel Fenelon S. Câmara

Resumo: Este artigo apresenta a história de Transformações e símbolos da libido, onde Jung analisa a dinâmica da libido em uma paciente prestes a manifestar sua esquizofrenia. Ele propõe, na primeira versão da obra, novos conceitos que não serão aceitos pelo movimento psicanalítico, o que representará importante fator em seu processo de ruptura com o movimento e com Freud, seu fundador. Aqui são examinados os antecedentes da obra e sua importância histórica, teórica e psicológica, bem como apresentados os principais aspectos conceituais e teóricos da obra, que depois será revisada pelo autor e renomeada Símbolos da transformação.