Configurações da ética na consciência

Catelli, Mario Batista

Resumo: O artigo descreve sucintamente as principais etapas no processo de desenvolvimento da consciência, em particular no que se refere à função ética, a partir das elaborações teóricas realizadas por Jung, Neumann e Byington. Essas etapas são aqui denominadas como: totalidade indiferenciada, consciência insular, consciência polarizada, consciência de alteridade e consciência contemplativa. Busca apresentar o processo de evolução da consciência e da função ética como um percurso que parte de uma unidade indiferenciada, passa por uma progressiva diferenciação e integração, para retornar à unidade conservando as qualidades adquiridas durante sua trajetória.

Um diálogo com o dinheiro – um encontro de paradoxos

Albert, Susan Carol

Resumo: Este artigo reflete sobre as diferentes expressões do símbolo do dinheiro e os diferentes papéis que ele teve e continua tendo ao longo da história. Examina os impactos de um complexo de dinheiro, individualmente e culturalmente, e discute o papel do dinheiro além de sua função econômica, para considerar seus significados emocional e simbólico. A importância de um diálogo interno com este símbolo é destacada como um meio de acessar nosso próprio complexo de dinheiro e como abordar as fantasias inconscientes ligadas a este símbolo pode nos ajudar a alcançar uma compreensão mais profunda de seu significado.

Se eu quiser falar com Deus – solidão e desapego em busca do sagrado

Esteves, Paula Costa Franco

Resumo: Ao longo da história humana há exemplos significativos da religiosidade como busca da transcendência. O cultivo da solidão e do desapego nesta busca e na reverência ao sagrado é considerado como uma procura consciente de conexão com o Self. Jung tratava a religião como experiência universal por ser praticada em todas as culturas e em todos os tempos. O presente artigo faz, a partir da análise do poema “Se eu quiser falar com Deus” de Gilberto Gil, uma discussão sobre as várias atitudes pessoais diante das experiências religiosas como um exercício individual, solitário que possibilita um engajamento no processo de individuação.

O tempo e a terapia junguiana de casal: reflexões

Pessoa, Maria Silvia C.

Resumo: Este ensaio tece algumas reflexões sobre a terapia breve, a psicologia junguiana e a terapia de casal. Destaca a importância do tempo cronológico chronos e do tempo subjetivo kairós, em significado, no trabalho com o casal contemporâneo. Experimentamos, como terapeutas, a pausa, o silêncio, a ausência e o tempo necessário para sentir a dor das feridas que se formaram ao longo dos anos. No trabalho terapêutico, é também preciso dedicar tempo para olhá-las, tratá-las e amenizá-las. O tempo, ligado intrinsecamente à vida, faz-se presente no trabalho com casais, envolvendo a discriminação, a elaboração e a integração dos complexos de cada parceiro. Ao reconhecer a importância do tempo na terapia, o terapeuta capacita-se a ser empático com o momento oportuno de cada parceiro e do próprio casal: terceiro elemento, que resulta do encontro afetivo e da convivência entre duas pessoas. Outorga-se, por meio dessa postura, novo contorno ao setting terapêutico, cuja construção ocorre no campo interpessoal da relação entre terapeuta e casal. Para a autora, o termo ‘terapia simbólica de casal’ adequa-se à terapia de casal junguiana, uma vez que o foco concentra-se no símbolo como forma de expressão do inconsciente, cuja função é apontar a direção da demanda do Self: o centro ordenador da psique.

O sonho de Tânia

Maurmo, Thaís

Resumo: O símbolo tem uma natureza transformadora por que ele torna o arquétipo visível à consciência. Uma criatura semi-humana, metade mulher, metade moreia, aparece no sonho de uma paciente de meia-idade. Este trabalho trata do símbolo dessa quimérica figura em suas muitas áreas e camadas de compreensão como propósito de discutir seu impacto na vida da paciente. Ele descreve, analisa e interpreta o símbolo baseado na Psicologia Junguiana. Ela amplifica o símbolo através do uso de mito e da cultura e proporciona reflexões sobre ele. Finalmente, conecta o símbolo ao sonho e ao estágio de vida da paciente. O resultado é que a natureza transformadora do símbolo tem um impacto na vida da paciente e em seu processo de individuação. Isso a habilita a fazer mudanças significativas em sua vida.

O arquétipo do duplo em Goethe

Gimael, Elizabeth Dipp Azevedo

Resumo: Este artigo aborda o conceito de um arquétipo, o arquétipo do duplo, proposto por um analista junguiano, Walker (1976), como sendo uma figura de alma com características espirituais e eróticas. O tema do duplo é tão arcaico, que aparece em vários mitos de criação, e é também uma temática vastamente utilizada no século XIX, no Romantismo. Valendo-se do livro de Goethe Fausto, a autora analisa os duplos que aparecem no desenvolvimento dramático dessa obra. Em Fausto, observamos a existência da busca de um outro fora de nós para completar a nossa alma, o protagonista buscou essa complementaridade e a encontrou em Mefistófeles e Margarida.

Quando o amor romântico intoxica

Baptista, Sylvia Mello Silva

Resumo: Este artigo trata do aspecto tóxico do amor romântico através de uma reflexão sobre a inconsciência que permeia as relações amorosas quando aprisionadas em projeções. A estória de Eros e Psiquê é abordada como expressão mítica deste fato, e para além dele, levando em conta as inúmeras mortes simbólicas de Psiquê.